âncora Eu sou a âncora #MeuPoema poema a ancora cris ceresso

Me sinto como um navio ao chegar no porto, onde o lançar da âncora é preciso para se manter estável.
Durante um certo tempo ali parado, aguardando uma nova partida, porém ao invés da âncora me manter na superfície, eu me afundo cada vez mais.

Quem são os marujos no controle deste navio chamado Eu? Meus pensamentos? Sim, talvez. Na maior parte do tempo estes marujos não sabem controlar este navio durante uma tempestade, e somente ficam ali assustados, sem ter idéias do que fazer para se salvarem.

Este imenso navio parado no porto como se tudo estivesse bem aos poucos vai se submergindo, mas onde estão os marujos pelo amor de Deus? Estão confusos, com medo, paralisados de tanta tristeza.

Se o barco estiver danificado a âncora é inútil.
Se meus pensamentos estiverem doentes a vida não tem sentido.
O capitão afunda junto com seu navio.
Eu sou o navio, eu sou a âncora, eu sou o capitão.

(Cristiane Ceresso – Maio/2017)